Estamos tão estressados e irritados, respondendo uma
aspereza com outra que esquecemos que são essas pessoas que se relacionam
conosco diariamente. Esquecemos que são essas pessoas que encontramos ao café
da manhã ou quase na hora de ir dormir ou apenas se possível, fazer uma
refeição qualquer, que não dedicamos um pedacinho da nossa paciência. Daquela
tal consideração que temos até com os desconhecidos e conhecidos mas não
dispomos com os íntimos. Estamos tão cansados da “pisar em ovos” o dia todo,
com as pessoas que pagam nossos salários no final do mês, que quando chegamos
em casa, faculdade, curso ou qualquer outro lugar que nos permita respirar
depois de um dia intenso, a nossa paciência está no nível abaixo de zero.
O chefe chato, a colega de trabalho que faz a parte dela “nas coxas” e você tem
que arrumar para a sua ficar parametrizada, na hora do almoço seu pedido vem
errado e você tem que reclamar para a atendente que faz cara de má vontade na
sua única hora de descanso, do trânsito que não colabora para você chegar mais
em casa e descansar uma hora a mais, o transporte público que emite puro desconforto
e por aí vai as mais diversas situações que enfrentamos.
Então quando você chega em casa e as pessoas estão reclamando, você quer contar
como foi seu dia, mas as pessoas querem medir força do quanto o dia delas foi
muito pior que o seu. Você quer ouvir, mas já falou o dia todo ao telefone ou
ficou conversando com clientes e fornecedores, e, já que não é possível ser
ouvido, quer se dar ao direito de não ouvir ninguém também.
Ou na faculdade que você quer se manter acordado, mas o cansaço está tão
intenso que você meio que “pesca” no meio da aula. O professor não admite que
ele tenha preparado a aula por tantas horas e você não seja capaz de ficar
acordado ouvindo o excelente conteúdo por apenas 1 ou 2 horas. É um frenesi. É uma loucura. Quase motivo
para te internarem num manicômio.
Esse texto não indica solução. Esse texto também não é desabafo.
E sim, uma ilustração de como anda a vida rotineira dessa geração que corre
contra o tempo para crescer em uma idade que ainda não temos que colher os
frutos.
O mundo não nos deixa apreciar o plantio. Querem o fruto maduro sem deixar o
seu tempo biológico desenvolver naturalmente. Coloca agrotóxico, você entrega
com a mesma beleza e com baixa qualidade. E C’est la Vie!!!
O que isso tem a ver com o deboísmo? TUDO!
Acredite se quiser, mas com a demanda de tarefas, a forma como corremos para
dar conta de tudo, dormindo o menor tempo possível para fazer nosso dia rendar
sempre um pouquinho mais, faz com que esqueçamos de levar as coisas mais “de
boas”, e assim, termos menos paciência com familiares e amigos.
Mas então pergunto: até onde vai o deboísmo?
Quando respondemos da forma que não é esperada ou explodimos com algo que nos contrariou,
mesmo que seja algo irrelevante, falam: “Nossa, você é sempre assim! Não dá
para conversar 5 minutos bem com você.”
Mentira! Se colocarmos no comparativo por mês será que
explodimos os 30 dias seguidos? Acho meio difícil. Por isso eu falei que o
deboísmo tinha tudo a ver com a trama do início do texto. Porque as pessoas que
se relacionam conosco também não estão tãããooo tolerantes. A via é de mão dupla.
Por isso a dificuldade de equilibrar essas questões diariamante.
Como eu disse, esse texto não apresentava soluções, mas uma maneira de nos
identificarmos. De ver que não é só você quem enfrenta essas questões e acontecimentos.
E cabe a você como contornar e não deixar isso se tornar tão pesado no seu
dia-a-dia.







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