quarta-feira, 9 de março de 2016

ATÉ AONDE VAI O DEBOÍSMO?

Estamos tão estressados e irritados, respondendo uma aspereza com outra que esquecemos que são essas pessoas que se relacionam conosco diariamente. Esquecemos que são essas pessoas que encontramos ao café da manhã ou quase na hora de ir dormir ou apenas se possível, fazer uma refeição qualquer, que não dedicamos um pedacinho da nossa paciência. Daquela tal consideração que temos até com os desconhecidos e conhecidos mas não dispomos com os íntimos. Estamos tão cansados da “pisar em ovos” o dia todo, com as pessoas que pagam nossos salários no final do mês, que quando chegamos em casa, faculdade, curso ou qualquer outro lugar que nos permita respirar depois de um dia intenso, a nossa paciência está no nível abaixo de zero.



O chefe chato, a colega de trabalho que faz a parte dela “nas coxas” e você tem que arrumar para a sua ficar parametrizada, na hora do almoço seu pedido vem errado e você tem que reclamar para a atendente que faz cara de má vontade na sua única hora de descanso, do trânsito que não colabora para você chegar mais em casa e descansar uma hora a mais, o transporte público que emite puro desconforto e por aí vai as mais diversas situações que enfrentamos.  



Então quando você chega em casa e as pessoas estão reclamando, você quer contar como foi seu dia, mas as pessoas querem medir força do quanto o dia delas foi muito pior que o seu. Você quer ouvir, mas já falou o dia todo ao telefone ou ficou conversando com clientes e fornecedores, e, já que não é possível ser ouvido, quer se dar ao direito de não ouvir ninguém também. 
Ou na faculdade que você quer se manter acordado, mas o cansaço está tão intenso que você meio que “pesca” no meio da aula. O professor não admite que ele tenha preparado a aula por tantas horas e você não seja capaz de ficar acordado ouvindo o excelente conteúdo por apenas 1 ou 2 horas.  É um frenesi. É uma loucura. Quase motivo para te internarem num manicômio.





Esse texto não indica solução. Esse texto também não é desabafo. 
E sim, uma ilustração de como anda a vida rotineira dessa geração que corre contra o tempo para crescer em uma idade que ainda não temos que colher os frutos. 
O mundo não nos deixa apreciar o plantio. Querem o fruto maduro sem deixar o seu tempo biológico desenvolver naturalmente. Coloca agrotóxico, você entrega com a mesma beleza e com baixa qualidade. E C’est la Vie!!!



O que isso tem a ver com o deboísmo? TUDO!

Acredite se quiser, mas com a demanda de tarefas, a forma como corremos para dar conta de tudo, dormindo o menor tempo possível para fazer nosso dia rendar sempre um pouquinho mais, faz com que esqueçamos de levar as coisas mais “de boas”, e assim, termos menos paciência com familiares e amigos.

Mas então pergunto: até onde vai o deboísmo? 
Quando respondemos da forma que não é esperada ou explodimos com algo que nos contrariou, mesmo que seja algo irrelevante, falam: “Nossa, você é sempre assim! Não dá para conversar 5 minutos bem com você.”




Mentira! Se colocarmos no comparativo por mês será que explodimos os 30 dias seguidos? Acho meio difícil. Por isso eu falei que o deboísmo tinha tudo a ver com a trama do início do texto. Porque as pessoas que se relacionam conosco também não estão tãããooo tolerantes. A via é de mão dupla. Por isso a dificuldade de equilibrar essas questões diariamante.



Como eu disse, esse texto não apresentava soluções, mas uma maneira de nos identificarmos. De ver que não é só você quem enfrenta essas questões e acontecimentos. E cabe a você como contornar e não deixar isso se tornar tão pesado no seu dia-a-dia.



Portanto: se tiver que ser deboísta, que sejas. E se tiver que ser de “tretas”, que sejas também. ;)







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